Papo com o pescador.
Era um desses dias de verão e estava tudo calmo na Baía de Todos os Santos.
E o pescador:
- Olha como isso aqui é bonito. Me traz uma paz sem tamanho.
- Esse povo vive falando dessas tristezas do mundo. Eu sei, mas olha como isso aqui é bonito. Repara bem.
Nessa hora uma tartaruga passou em baixo do barco e depois subiu pra pegar um ar.
E ele continuou:
- Tá vendo moço, que felicidade ver o bicho direto da natureza, sem aquário, sem nada.
- A gente tem que aprender a ver que tem muita coisa pra nos fazer feliz por aí. É só olhar direitinho que tem.
Eu, adorando o ensinamento, falei:
- É que a gente tem essa mania de ficar se ancorando em algumas tristezas.
Ele, com um sorriso singelo no rosto:
- Então vamos navegar. Agora sem âncoras.
Silenciamos.
Era só o vento no rosto, balançar do barco e o pensamento: "Agora sem âncoras."